EXPOSIÇÃO "O UNIVERSO DA LITERATURA DE CORDEL"
A FRANÇA RECEBERÁ EXPOSIÇÃO QUE RETRATA A CULTURA DO NORDESTE BRASILEIRO
Os principais personagens do ideário nordestino serão apresentados em exposição itinerante em três apresentações na França.
Abertura dia 1 de novembro - Terça-feira
Toulon
Centre National de Diffusion Culturelle de Châteauvallon
O universo do cordel. Este é o mote da exposição itinerante que três cidades francesas vão abrigar entre Setembro de 2005 e Janeiro de 2006, em decorrência das festividades do Ano do Brasil na França.
Pelas mãos da pesquisadora Andrea Lago da produtora Vide o Verso que concebeu o projeto, a exposição apresenta uma visão panorâmica e atual de temas universais/regionais, tomando como ponto de partida a literatura popular em verso e a xilogravura, manifestações que ajudam a compor a fisionomia cultural do Nordeste brasileiro e fazem refletir sobre a atualíssima campanha de preservação do patrimônio imaterial da humanidade.
Um dos principais enfoques é a existência de antecedentes franceses nas matrizes do nosso folheto: a littérature de colportage é expressão literária da cultura popular medieval francesa, cujos traços são facilmente identificáveis na produção cordelística nacional.
Com ambientação associada à cantoria e outras expressões de oralidade, ao mundo das feiras livres, da poética de folhetos e imagens xilográficas da vida nordestina, a exposição também evoca a França medieval com os personagens saídos das histórias de cavalaria para o imaginário brasileiro e para a literatura de cordel, encarnados principalmente em Carlos Magno e nos Doze Pares de França.
O fio condutor será a trajetória pessoal do homenageado do evento, o xilógrafo e cordelista José Francisco Borges, ou J. Borges, aliada à riqueza do acervo do pesquisador brasilianista Raymond Cantel (1914 - 1986), que manteve contatos diretos com Borges e outros artistas populares, freqüentou o país durante as décadas de 50 a 70, e defendeu ardorosamente o cordel brasileiro e manifestações literárias similares de Portugal e França.
O curador brasileiro da mostra é o pesquisador e folclorista Roberto Benjamin e a curadoria francesa está com a pesquisadora Ria Lemaire, diretora do Fonds Raymond Cantel, instituto de documentação e pesquisa sobre literatura popular brasileira, cujo precioso acervo será cedido para a exposição.
O projeto recebeu o patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil e o apoio cultural da Natura e da Rexam.
O projeto irá levar à França os artistas J. Borges, Ivan Borges e Marcelo Soares que oferecerão oficinas de xilogravura ao público.
A exposição "O Universo da Literatura de Cordel", Expografia e Edição Musical.
A iconografia da exposição inspira-se na obra de J. Borges, e quem assina a expografia é o designer Clóvis Arruda, que contou com a orientação do cenógrafo e artista plástico Guto Lacaz.
Bonecos em tamanho natural e grandes painéis em tecidos rústicos convidam para a imersão num universo muito diferente aos olhares estrangeiros. Padre Cícero, Lampião, vaqueiros encourados e paisagens áridas, romeiros, cantadores povoam o local da exposição, atraindo as atenções para os textos explicativos, que oferecem pistas sobre o mundo do cordel. Uma exposição lúdica, viva e envolvente que procura atingir todos os sentidos do visitante.
Patrícia Palumbo assina a trilha sonora da exposição que foi desenvolvida visando cada ambiente expositivo através de pesquisa entre cantadores nordestinos, violeiros, repentistas e músicos contemporâneos, de forma que fosse contemplada toda a diversidade musical do Nordeste. Além disso, temas importantes de nossa MPB que tiveram sua inspiração nas histórias ou na métrica do cordel também compõem a trilha sonora.
Atividades paralelas compõem o projeto "O Universo da Literatura de Cordel" na França
Ateliês de Poesia e Xilogravura
O ateliê propõe reunir um grupo de pessoas com o objetivo de traduzir para o francês, textos da literatura de cordel. Esta atividade se dará com a presença do poeta francês Pascal Poyet que identificará problemas próprios da tradução durante o processo do grupo.Zelará pelo sentido original do cordel na poesia e forma.
Público adulto, jovem, além de escolas poderão participar, e as inscrições podem ser feitas através da Associação Solidarité Provence - Amérique du Sud.
O Encontro com o poeta e artista brasileiro
Trata-se de compreender a trajetória pessoal do poeta, a passagem do oral à escrita e por esta via, entender também a própria historia e sentido da literatura de cordel na sociedade brasileira.
Após este momento de encontro com J. Borges e Marcelo Soares (inserir), poetas-gravadores, os participantes iniciarão a prática da gravura sobre madeira.
Ao final dos ateliês o grupo escolherá uma gravura para ilustrar a poesia produzida na etapa anterior e o folheto de Cordel Francês será distribuído durante a exposição e em diversos locais da cidade de Marseille.
Cordel e suas origens
Cantoria, cordel e xilogravura constituem três componentes de uma arte complexa e infinitamente variada que teve origem no Nordeste do Brasil. Região imensa, economicamente desoladora, com estruturas políticas e sociais que mudaram muito lentamente depois do período colonial, o Nordeste é, ao mesmo tempo, um mundo de uma beleza excepcional tanto pelas suas paisagens impressionantes, quanto pela riqueza e diversidade de sua cultura.
Os poetas recitavam poesias nas tipografias a fim de vendê-las sob a forma de livretos que as pessoas do Nordeste chamavam de folheto e ao qual a crítica literária deu, mais tarde, o nome de literatura de cordel (vendido em varais).
Na fabricação dos folhetos juntou-se à vontade de oferecer ao seu público uma bela capa que resumisse o conteúdo do livreto. Foi assim que os poetas tornaram-se também gravadores.
Nos anos 60, em seguida à publicação de muitos luxuosos álbuns de gravura nordestina, feitas por pesquisadores e intelectuais, a xilografia torna-se autônoma e ganha o status de arte com importante projeção nacional e internacional. Ela é atualmente reconhecida como uma das maiores contribuições do Nordeste ao cenário das artes plásticas brasileiras.
O Artista J. Borges
Além de sua reputação de poeta de cordel, José Francisco Borges, mais conhecido por J. Borges, é considerado hoje como um dos maiores gravadores brasileiros.
Pernambucano de Bezerros, artista de reconhecimento internacional, já teve sua obra/ xilogravura comparada a Picasso pelo jornal The New York Times.
Ilustrou livro de Eduardo Galeano e o relatório anual do centro David Rockfelller.
A maior biblioteca do mundo em Washington possui a coleção completa de seus trabalhos.
J. Borges recebe essa homenagem dentro da programação oficial do Ano do Brasil na França e ao mesmo tempo presenteia o público europeu com sua arte.
Sempre muito ativo, hoje prestes a completar 70 anos, seu trabalho conquistou um grande prestígio nacional e internacional. Em seu atelier em Bezerros, estão as obras que já foram expostas na França, Itália, Suíça e nos Estados Unidos.
J.Borges queria ser poeta de cordel para ser porta voz do povo do Nordeste. Pelo mérito de seu trabalho, ele recebeu a medalha de honra ao mérito cultural da presidência da República do Brasil e o prêmio UNESCO 2000.
Serviço:
Dia 1 de novembro - Terça-feira
Toulon
Centre National de Diffusion Culturelle de Châteauvallon
Endereço: 795, chemin de Châteauvallon à Ollioules
Entrada franca
Duração: De primeiro á 11 de novembro de 2005
www.chateauvallon.com
Ateliês de poesia e xilogravura - de 11/10 à 22/10
Xilogravura - com Marcelo Soares
Poesia - Pascal Poyet
Dia 26 de dezembro - Segunda-feira
Paris
Maison du Brésil - Cité Internationale Universitaire
Endereço: 7L, Bd Jourdan 75014 Paris
Entrada franca
Duração: De 26 de dezembro 2005 a 28 de janeiro de 2006
http://www.maisondubresil.org
Apoio Institucional
Ministério da Cultura do Brasil
Comissariado Brasil - França
Ministério das Relações Exteriores da França
Comissão Nacional de Folclore
Fonds Raymond Cantel - Universidade de Poitiers
Alcazar - Bibliothéque de Marseille à Vocacion Régionale
Vide o Verso - Projeto Brasil - França 2005
Association Solidarité Provence-Amérique du Sud à Marseille
Patrocínio:
Banco do Nordeste do Brasil
Apoio Cultural
No Brasil
O projeto é apoiado financeiramente pelas empresas: Natura e Rexam.
Temos o apoio em serviços de: Hamburg Süd/ Alianza, Rapidão Cometa e Aliança Francesa de Recife.
Na França
Ville de Marseille, Alcazar - Bibliothéque de Marseille à Vocacion Régionale
Conselho Regional da Região Provence - Alpes - Côte d'Azur
Ministério da Cultura da França
Comitê de mecenas francês do ano do Brasil na França: Accor, Areva, Suez, CNP, Arcelor.
Apoio em serviços de: Hotel Mercure Marseille Euro - Centre, Léon Aget.
Ficha técnica
Realização - Vide o Verso - www.vide.com.br
Concepção e Pesquisa: Andréa Lago - Vide o Verso
Expografia e Design: Clóvis Arruda - Vide o Verso
Produção Executiva Brasileira: Marly Porto
Produção Executiva Francesa: Anne Sybille d'Hanens
Curadoria Brasileira: Roberto Benjamin - Presidente da Comissão Nacional de Folclore.
Curadoria Francesa: Ria Lemaire - Diretora do Fonds Raymond Cantel da Universidade de Poitiers
Atendimento á imprensa
MACIDA JOACHIM
Rua Prof.Pirajá da Silva, 60
Vila Madalena - São Paulo - SP - Brasil - 05451 090
11 3021-2894/ 55 11 9937-3446 - macidajoachim@uol.com.br
Skype - Macida Joachim
Fonte: Luciano Sá (assessoria de imprensa BNB)